Dieta Cetogênica Clássica

Conheça mais sobre a Dieta Cetogênica (DC)

A DC Clássica é indicada para o tratamento da epilepsia, principalmente para aqueles pacientes que apresentam epilepsia de difícil controle, que não responderam ao tratamento com mais de dois fármacos antiepilépticos.

É utilizada principalmente em crianças, porém pode ser utilizada também em adultos. É indicada frequentemente na síndrome de Lennox Gastaut, síndrome de Doose, síndrome de Dravet, síndrome de West, esclerose tuberosa, doenças mitocondriais e, é o tratamento de primeira linha na síndrome da deficiência de GLUT-1 e na deficiência de piruvato desidrogenase.

A Dieta Cetogênica é restrita em carboidratos (açúcares), adequada em proteínas e rica em lipídeos (gorduras), rigidamente calculada para cada paciente. Esta dieta leva a produção de corpos cetônicos no organismo. Estes corpos cetônicos serão a fonte de energia utilizado pelo cérebro.

A Dieta Cetogênica Clássica, composta principalmente por triglicérides de cadeia longa, contém 3 a 4 gramas de gordura para 1 grama de carboidrato e proteína juntos.

Os principais alimentos usados na dieta cetogênica como fonte de gordura são a manteiga, creme de leite fresco, maionese, toucinho, óleos e azeites.

Existem fórmulas nutricionais cetogênicas que já vêm na proporção 4:1 (4g de gorduras para cada 1g de carboidratos+proteínas). São completas (contêm todas as vitaminas, minerais, proteínas, carboidratos e gorduras) e podem ser consumidas na forma líquida (sabor lácteo) ou em preparações como panquecas, vitaminas, etc. Também podem ser consumidas por pessoas alimentadas com dieta por sonda.

 

Apesar da quantidade de carboidrato e proteína ser restrita, é necessário que seja fornecida a quantidade adequada de proteína. Também é muito importante que a Dieta Cetogênica seja preparada com cuidado, com a orientação da nutricionista, que vai controlar o estado nutricional da criança.

Como a Dieta Cetogênica funciona?

Geralmente o nosso organismo utiliza os carboidratos (açúcar, pão, massas) como “combustível” de energia. Na dieta cetogênica, este “combustível” passa a ser a gordura. Os corpos cetônicos são um possível mecanismo de ação.

Existem outras teorias como a estabilização dos níveis de glicose, ações nos neurotransmissores, adenosina e outros.

Como iniciar a dieta?

A Dieta Cetogênica pode ser iniciada de forma ambulatorial ou durante internação hospitalar. Na maioria dos centros em nosso país, a dieta é iniciada ambulatorialmente, em consultas regulares.

A dieta será calculada pela nutricionista, para cada paciente, de acordo com: Idade, Peso e Estatura

E será constituída por 4 refeições:

O aumento da quantidade de gordura será feito de forma gradual:

É necessário o uso de uma balança digital com precisão de 1 grama. Todos os alimentos deverão ser pesados antes do preparo, exceto o ovo.

Todas as medicações recebidas devem ser trocadas por formulações sem carboidrato, de preferência comprimidos.

O que podemos esperar do resultado?

Cerca de metade das crianças que fazem a dieta cetogênica, apresentam redução de pelo menos 50% de suas crises epilépticas. Cerca de 10-15% das crianças vão ficar livres de crises. Apesar de nem todas apresentarem um ótimo controle das crises, existem outros benefícios como a melhora do alerta, da responsividade, redução ou suspensão dos fármacos antiepilépticos.

Como a dieta é monitorada?

Os exames laboratoriais são realizados antes do início da dieta cetogênica e depois a cada 3 meses para controlar os eletrólitos, função renal, função hepática, colesterol total e frações, triglicerídeos e outros.

É necessário o uso da fita para medir a cetose na urina. A cetose é a medida que mostrará se a dieta está funcionando, ou seja, se está havendo produção de corpos cetônicos.

Quais são os efeitos adversos?

Uma pessoa que esta começando a dieta pode se sentir apática, sem energia alguns dias após o início. A curto prazo, nas primeiras semanas, podem ocorrer a hipoglicemia, acidose, vômitos, refluxo gastro esofágico.

Outros efeitos adversos a longo prazo incluem: cálculo renal, aumento do nível de colesterol no sangue, constipação, redução da velocidade de crescimento, fratura óssea e outros.

Como é feito o seguimento?

Os pacientes devem retornar em consultas regulares geralmente a cada 1 – 3 meses para controle do crescimento (peso e estatura), ajuste da dose dos fármacos antiepilépticos, controle das crises epilépticas (frequência e tipos de crises). Exames de sangue e urina devem ser realizados para controle das possíveis complicações.

Qual é a necessidade de suplementos?

A dieta cetogênica não é completa na quantidade de vitaminas e minerais necessária ao nosso organismo diariamente. Por este motivo, é necessário sempre a suplementação com vitaminas, minerais como cálcio e vitamina D, selênio, ferro, ácido fólico e outras vitaminas; ou o uso de uma fórmula nutricional cetogênica. Essas fórmulas são completas, contêm a relação 4:1 e são suplementadas com todas as vitaminas e minerais em quantidades balanceadas. Alguns centros recomendam o uso de citrato de potássio para prevenir a acidose e cálculo renal. Alguns também recomendam o uso de L-carnitina, de acordo com cada paciente.

Quanto tempo dura o tratamento?

Esta não é uma dieta para a vida toda. Algumas crianças melhoram em algumas semanas, enquanto outras demoram mais tempo. São necessários 3 meses de compromisso para que se possa decidir se a dieta é eficaz. Nestes, a dieta deve ser mantida durante dois anos. Em alguns pacientes, naqueles com a síndrome da deficiência de Glut-1 e na deficiência de piruvato desidrogenase, a dieta deve ser mantida durante toda a vida.

O paciente deve continuar tomando a sua medicação até saber se a dieta vai ajudar ou não.Se a dieta estiver te ajudando a não ter crises, provavelmente o seu médico começara a reduzir a quantidade de medicação que você toma todos os dias.

Existem outros tipos de dieta cetogênica para epilepsia?

Sim. A escolha do tipo de dieta vai depender da experiência do centro onde você esta sendo atendido.

Existe a dieta com triglicérides de cadeia média (TCM), que é encontrado por exemplo no óleo de coco. O TCM produz uma quantidade maior de corpos cetônicos, permitindo que se aumente um pouco a quantidade de carboidratos da dieta. Pode ser utilizado como um recurso para aumentar a cetose e a palatabilidade da dieta. Porém em grandes quantidades ele não é bem tolerado, levando a náuseas, vômitos e dor no abdome.

A dieta modificada de Atkins é mais livre, os alimentos não necessitam ser pesados, não existe a restrição de quantidade, porém a restrição de carboidratos é mantida e deve-se intensificar a quantidade de gordura da dieta. É um opção interessante para adolescentes e adultos. A eficácia desta dieta se assemelha a dieta cetogênica clássica, exceto nas crianças menores de dois anos de vida.

A dieta com baixos índices glicêmicos, na qual se utiliza alimentos como os integrais, também pode ser utilizada, mas a sua eficácia é menor em relação aos outros tipos de dieta.

O sucesso da dieta depende principalmente dos pais e responsáveis, pois são eles que irão preparar, pesar e oferecer os alimentos no dia-a-dia. Assim, você deve estar comprometido com a dieta, ser organizado, disciplinado e, além de tudo, não deixar que a ansiedade atrapalhe o andamento do tratamento!

 A variação dos alimentos é fundamental para o sucesso da dieta!

Tome cuidado: escapes da dieta podem levar ao aumento no número das crises ou da intensidade delas. Assim, avise toda família, amigos, a escola… Todos devem estar unidos e dando todo o suporte que o paciente necessita.